sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Na Praia

RECUO

Carangueijo-uçá, carangueijo-uçá,
carangueijo sabe recuar.


SEM VOLTA
 
Nada revela
O olho opaco
Do peixe morto na praia.
Fugiu do arpão.
Mas morreu em vão.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Círculo

Fatias do ontem e do amanhã:
a eternidade me contém.
Adivinho esta vida apenas
curto instante de glória
dentro de outra obscura e maior
pois desde o barro pré-histórico
estive de algum modo presente
na promessa de carne dos avós
milenares e habito igualmente
tácita a matéria dos filhos.
Humilde fragmento do mundo
sou perene dentro do círculo.

Astrid Cabral in "50 Poemas Escolhidos pelo Autor", Edições Galo Branco,
Rio de Janeiro, 2008, p 10.
Postado originalmente em http://www.adispersapalavra.blogspot.com/

"Somos feitos da mesma substância dos sonhos"

Bibliotecas Digitais

Biblioteca Digital de Fernando Pessoa:
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/bdigital/index/index.htm
Arquivos Eletrônicos de Emily Dickinson, abertos para consultas:
http://www.emilydickinson.org/

sábado, 11 de dezembro de 2010

Nas Margens


Borboletas  beijam os juncos.
Movimento da calma.
Tudo tem alma.


sábado, 4 de dezembro de 2010

FÉ (Sagitário)



Fé sem credo é cruz.
Fé sem lei é atroz.
Fé sem amor é algoz.
Fé sem luz só reduz.

Fé pouca é tão oca.
Fé muita é tão louca.
Fé num só é solitária
Fé em muitos é refratária.

Fé sem eu é desvalio.
Fé sem tu é desmantelo.
Fé sem nós é desgoverno.
Fé sem todos dá medo.

Fé perdida faz a falta
Fé acendida faz a fagulha
Fé mantida faz o fogo
Fé expandida se faz  luz.